28/09/2020

SANTARÉM



SEM COMPUTADOR QUE CONTINUA A ARRANJAR, RESTAM-ME AS REEDIÇÕES 

                                              


Santarém tem abrigado várias lendas acerca da sua origem. Uma delas está relacionada com a mitologia Greco-Romana e conta que o príncipe Abidis, fruto de uma relação do Rei Ulisses de Ítaca com a Rainha Calipso, foi abandonado pelo avô – Gorgoris, Rei dos Cunetas – que o lançou às águas do Tejo, dentro de uma cesta. Como por milagre a cesta que albergava o príncipe aportou na praia de Santarém, onde uma serva o criou. Tempos depois, Abidis foi reconhecido pela sua mãe, Calipso, tornando-se assim legítimo ao trono. A Santarém deu o nome Esca Abidis (“manjar de Abidis) e daí teria vindo o nome Escálabis. No segundo caso, à mártir Santa Iria, ou Irene, de muito provável ascendência peninsular. As duas origens marcaram profundamente os topónimos que ainda hoje são utilizados: Scallabis e Santarém (de Sant`Arein)”.


A conquista romana desta área inicia-se em 138 A.C., com a campanha militar de fortificação de Olisipo (Lisboa) e Móron por Décimo Júnio Bruto.
Seguindo a mesma linha, Júlio César cria, em 61 A.C., um acampamento militar em Santarém. A cidade toma nesta época a designação de Scallabis Praesidium Iulium.
No ano 715 passou para a posse dos mouros, que  passaram a chamar-lhe Shantarin, fixando-se o nome em  Santarém com a reconquista da urbe por D. Afonso Henriques em 1147.


 Foi uma das principais vilas medievais de Portugal, tendo adquirido o estatuto de "Sempre Nobre e Leal" 


No Século XVI encontram-se, ou relacionam-se com Santarém, grandes vultos da história de Portugal, como Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões, Fernão Lopes, e Martim Afonso de Melo ( Primeiro Europeu a chegar à China por mar)
Durante as Invasões Francesas, foi quartel-general da tropas lideradas pelo General Maassena, e sitiada pelo duque de Wellington em 1810/11. Sá da Bandeira, Passos Manuel, e Braamcamp Freire, são exemplo de liberais nascidos e ligados a Santarém.
Almeida Garrett irá imortalizá-la em 1846 com a publicação do livro "Viagens na minha terra" uma história de amor infeliz entre Carlos e Joaninha.

Resta-me recordar que na revolução dos Cravos, Salgueiro Maia com as suas tropas saiu da Escola Prática de Cavalaria em Santarém.


Possuidora do maior núcleo antigo do país, Santarém tem muito que oferecer ao seu visitante.


Vale a pena ver o jardim das Portas do Sol, construído  no local do antigo castelo dos mouros, com os jardins rodeados das velhas muralhas medievais a fantástica vista sobre o Tejo, e a lezíria.


 Conhecida como a "capital do Gótico", Santarém tem muitos e belos monumentos de que destaco alguns. A actual Catedral,antiga Igreja do Seminário em estilo barroco, datada de 1640, a Igreja da Graça, do século XIV, onde pode ver a pedra tumular de Pedro Álvares Cabral, 

O Museu Arqueológico de São João de Alporão, a Estação dos Caminhos-de-ferro com os seus painéis de azulejo, a ponte D. Luís, a casa museu Passos Manuel, a Igreja de Santa Maria de Alcáçova, 

                                                   altar da igreja de Alcáçova
e a Igreja de Marvila, entre muitos outros monumentos de interesse.








Na Gastronomia a Açorda de Sável, a Fataça na Telha e a sopa de peixe são alguns dos pratos mais apreciados. Mas a Massa a Barrão, o Bacalhau com magusto, ou o Entrecosto com arroz de feijão, sejam também uma boa opção. Acompanhados é claro com o bom vinho do Ribatejo.
Para adoçar a boca, temos uma panóplia de doces conventuais, à base de  amêndoas, açúcar e ovos, de que destaco os Arrepiados, os Celestes e os Queijinhos do Céu. 
Temos ainda o Pampilho, outro doce local criado em homenagem ao campino.


 



fontes:  

Visita de estudo, como complemento da leitura do livro "Viagens na minha terra" de Almeida Garrett

16/09/2020

Nazaré

A resposta ao desafio anterior  era Alenquer. Foi lá que segundo a lenda aconteceu o milagre e é lá que se encontra aquela placa comemorativa. De resto Alenquer, foi uma das 4 localidades que a rainha recebeu em dote em Abril de 1281, já casada  por procuração com o rei D. Dinis, embora tivesse apenas 11 anos. A boda presencial seria celebrada em Trancoso a 26 de Junho de 1282.

As outras 3 localidades foram Óbidos, Abrantes, e Porto de Mós. Posteriormente viriam a ser-lhe atribuídas muito mais. Parabéns Manu e Ailime


                          

 


Segundo a lenda, Nazaré deve o seu nome a uma imagem da Virgem de Nazareth na Palestina, que um monge grego terá trazido no séc. IV para o mosteiro de Cauliana, perto de Mérida. No ano 711 após a batalha de Guadalete, em que os muçulmanos derrotaram os cristãos, e  D. Rodrigo, o último rei visigodo da Península Ibérica, consegue fugir e chega ao mosteiro, quando os monges, sabedores da vitória dos muçulmanos se aprestavam a abandoná-lo. Um dos monges, Frei Romano decide acompanhar D. Rodrigo na fuga, trazendo consigo a imagem da Virgem, e uma caixa com as relíquias de S. Brás e S. Bartolomeu.
Chegam ao seu destino a 22 de Novembro desse mesmo ano, quando encontraram uma igreja abandonada no monte Seano, actual monte de S. Bartolomeu. Separaram-se, para viverem como eremitas. O rei ficou no monte, o monge, instalou-se a 3 Kms, numa gruta no topo de uma falésia sobre o mar. Após a sua morte, a imagem terá permanecido escondida durante vários séculos até que foi descoberta por pastores que passaram a venerá-la.
D. Fuas Roupinho, alcaide-mor do Castelo de Porto de Mós, tinha por hábito caçar por aqueles lados. Conta a lenda que também ele descobriu a imagem e a venerou.
Ermida da Memória. Painel de Azulejos alusivo ao milagre da lenda. Foto da Wikipédia.

Algum tempo depois, a 14 de Setembro  de 1182, numa manhã de intenso nevoeiro, D. Fuas perseguia um belo veado, quando o vê desaparecer no precipício. Perante o perigo, terá pedido auxílio à Virgem, e o cavalo estacou na ponta do penhasco, salvando a vida do cavaleiro. Em acção de graças, mandou D. Fuas Roupinho construir a Ermida da Memória. Venerada desde então, a imagem teria dado origem ao nome do lugar - Sítio de Nossa Senhora da Nazaré. Desde então, ao local acorrem romeiros e peregrinos, mas devido à difíceis condições de acesso, passaram mais uns bons séculos até que o Sítio começasse a desenvolver-se. Para isso deu grande contribuição, a instalação de um elevador mecânico em 1889, para fazer a ligação ente o Sítio e a Praia.



As primeiras referencias à Praia da Nazaré, datam de 1643, pelo que se depreende que a sua ocupação é relativamente recente.
Só no século XIX, já depois das invasões francesas, se reuniram condições para que os pescadores começassem a instalar-se junto à praia. Anteriormente devido aos constantes ataques dos piratas argelinos e holandeses, os pescadores sentiam-se inseguros no areal, e refugiavam-se nas partes altas, Sítio e Pederneira. Apesar de nos meados do século XIX, a praia da Nazaré, já ser procurada para banhos, só na década de  60 do século passado o turismo descobriu verdadeiramente a Nazaré.
Hoje é uma vila moderna e animada, para o que muito contribuem a excelência das suas ondas para a prática de surf.  E por falar em ondas lembram-se do recorde estabelecido em 2011 por McNamara na Praia do Norte? Pois é, uma onda de 30 metros é obra..
Mas Nazaré é muito mais que Sítio e Praia da Nazaré.. Assim aconselho uma visita ao Forte de S. Miguel.



O Santuário de Nª Senhora da Nazaré que remonta ao século XIV,


Exterior e interior do Santuário de Nª Senhora da Nazaré

A Igreja Paroquial de Nossa Senhora das Areias, do século XVI,e  outros.  Uma visita ao Miradouro de Suberco, no Sítio, a 110 metros de altura que tem uma vista fantástica, à Praia do Norte,ainda o miradouro da Pederneira,
Miradouro da Pederneira. Foto da CM da Nazaré




 a Praia do Salgado e a Praia do Sul. Para os que se interessam por museus, existem três na Nazaré. Um etnográfico, um de arte sacra e o museu do Pescador.
Na Gastronomia, são vários os pratos típicos, todos na base do peixe.  A caldeirada  Nazarena, a sardinha, o carapau , a massa de peixe, a cataplana de peixe, o arroz, a açorda, e a cataplana de marisco. Na doçaria temos as Sardinhas, um folhado recheado de creme de ovos, Támares, uns bolinhos em forma de barcos,os Fóquins e os Nazarenos.








03/09/2020

QUEM GOSTA DE DESAFIOS ?


 Numa das minhas passeatas encontrei esta placa, alusiva ao Milagre das Rosas, da Rainha Santa Isabel, que todos conhecemos e segundo a lenda se deu neste local.

O que pretendo, é que me digam,  onde ela está, ou onde estava eu para a fotografar.

22/08/2020

IGREJA DE SANTA MARIA DA VÁRZEA - ALENQUER

 Reedição

                                


 IGREJA DE SANTA MARIA DA VÁRZEA
Também conhecida por Nossa Senhora da Várzea, o seu edifício encontra-se integrado no centro histórico, junto ao troço da muralha do Castelo, com o qual a antiga Judiaria confinava. Paróquia já em 1203, onde se incluiria o bairro da Judiaria, foi extinta e integrada na freguesia de Triana, em meados do séc. XIX, vindo a ficar devoluta e despojada, de objectos de culto.
Encerrada ao culto, rapidamente se precipitou a sua degradação, vindo a sofrer grandes obras de reconstrução, em finais do mesmo século, que não chegaram a acabar-se. Com estas mais do que a reabilitação do templo em si, pretendia-se dignificar a sepultura do mais insigne alenquerense, ali sepultado em 1574: Damião de Góis.
Com a adesão de Alenquer, à Rede de Judiarias de Portugal, em  Setembro de 2011, sentida a necessidade de se encontrar um imóvel onde pudesse ser instalado um museu relacionado com a Judiaria de Alenquer acabou por surgir naturalmente como eleita para esse fim. A sua reabilitação veio assegurar a preservação do monumento em si mesmo e contribuir para a valorização do bairro em que se insere



Incontornável foi também a relação íntima de Damião de Góis com a antiga Igreja. Ali foi batizado em 1502,  e já perto da velhice, veio a comprar o direito de se fazer sepultar na capela-mor, onde fez construir um sumptuoso  túmulo onde foi efectivamente sepultado em 1574. Consequência da ruína da igreja, este túmulo veio a ser transferido, em 1941, com todos os seus elementos (a laje tumular, uma lápide armoriada, outra lápide com inscrição e escultura da cabeça de Góis,  uma janela com pequenos colunelos,  e o próprio pavimento), para uma capela tumular construída para o efeito na igreja de S. Pedro, classificada como imóvel de interesse público desde 1946.
Insigne alenquerense foi uma das mais notáveis vítimas da Inquisição a par com os judeus cristãos-novos. 
Na sua crónica de D. Manuel, relatou o massacre de judeus de Lisboa em 1506 e foi acusado e julgado pela Inquisição, por se considerar que se desviara da antiga fé da Igreja por influência de Lutero.  É interessante notar que algumas das acusações que sofreu, eram exatamente as mesmas de que eram acusados os cristãos-novos; comer carne às sextas-feiras ou ler livros proibidos.

CLIQUEM NAS FOTOS PARA AS  AMPLIAR, E LEREM TODA A HISTÓRIA , 
































10/08/2020

SANTUÁRIO DO BOM JESUS DO CARVALHAL





Porque me pareceu que quem me visitou não conheceu o Santuário, muito embora já tenham andado por lá perto, julguei oportuno falar dele.  Na primeira foto belos painéis de azulejos que se encontram no adro do Santuário. Consta que este era o mais importante local de culto antes das aparições na Cova de Iria. Hoje apesar de se encontrar a pouco mais de 1Km do famoso jardim Oriental do Berardo, acredito que a maioria das pessoas que vão ao Bombarral, visitar o jardim, se vão sem saberem do belo Santuário ali tão perto.
O texto que se segue foi retirado do site oficial do Santuário.


"O Carvalhal foi repovoado depois da reconquista de Óbidos aos Mouros em 1147, por D. Afonso Henriques. Em 1371, D. Fernando desanexou o Cadaval de Óbidos e o Carvalhal passou a pertencer ao concelho do Cadaval; em 24 de Outubro de 1855 voltou a pertencer a Óbidos e em 28 de Março de 1914, com a criação do concelho do Bombarral, passou a fazer parte do novo concelho. A Paróquia foi curato da apresentação do prior de beneficiados de Nossa Senhora da Assunção de Óbidos até à nova restauração pastoral do Patriarcado, já no séc. XX. O Santuário foi construído sobre as ruínas duma primitiva ermida dedicada a São Pedro de Finis Terra que ruíu com o terramoto de 1755. Entretanto, sem precisão de data, já a Imagem do Senhor Jesus fora recolhida na capela-mor da referida ermida que seria a primeira igreja paroquial. A Imagem do Senhor Jesus é duma beleza ímpar, envolve mistério e lenda,  não se sabendo com exactidão a sua origem. Poderá admitir-se a hipótese de, na ocasião da reforma protestante na Europa Central, a Imagem ter sido lançada ao mar, como aconteceu em situações de radicalidade no movimento protestante, vindo a ser encontrada na praia de Peniche.

A lenda diz: "andava um pescador no mar de Peniche, eis senão quando, vê um caixote a boiar perto do barco, com muita curiosidade, arrasta o caixote para a praia e logo se faz ouvir uma voz: leva-me até poderes... O pescador, convencido que estava uma pessoa dentro do caixote, abriu-o e ficou surpreendido ao olhar para a Imagem do crucificado. Obediente àquela voz misteriosa, o pescador colocou a Imagem aos ombros e começou a caminhar na direcção para onde habitualmente ia fazer a venda do peixe. A Imagem não lhe pesava, mas quando chegou junto a ermida de São Pedro, tornou-se tão pesada que não conseguiu avançar mais. Foi ao casario que ficava próximo chamar alguém para o ajudar, mas o peso da imagem era tanto que resolveram deixá-la na Ermida. Logo se divulgou a noticia que naquela Capela estava "huma devota antiga imagem de Christo crucificado, pela qual Deus obra muytos milagres e he mui frequentada de devotos Romeyros das Villas circunvisinhas". Assim, ao longo do séc. XIX e início do séc. XX, o Templo ampliou-se, construiram-se as casas dos romeiros e outras acomodações para acolher os peregrinos. O sino mais antigo que se encontra numa das torres da igreja tem a data de 1737 com a seguinte inscrição: "Bone-Jesus-Miserere Nobis"; seria o único sino da primitiva igreja; os outros três sinos, da mesma torre, datam de 1862. A segunda torre foi construída por iniciativa do padre José da Costa Prata e concluí-se em 1909. O arvoredo do adro da igreja foi plantado em Abril de 1867. O coreto foi construído em 1895. Em 1910 o mesmo sacerdote adquiriu o terreno da parte baixa do Santuário, que arborizou e murou, ampliando assim, substancialmente, o recinto do Santuário.

Descrissão da Igreja do Santuário:

A igreja, de uma só nave, tem o tecto em madeira ornamentado com 15 painéis de florões, contendo o do centro os símbolos da paixão de Jesus. Na capela-mor está o Sacrário em talha dourada e um retábulo constituído por duas colunas coríntias, em madeira, entre as quais estão as imagens do Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, ambas em madeira policromada; ao fundo, em posição elevada, com acesso próprio, está o Trono trabalhado em talha dourada joanina, onde se guarda a veneranda Imagem do Senhor Jesus. Há uma capela lateral, onde se encontra a imagem do Senhor dos Passos, enquadrada num vistoso baldaquino dourado; na mesma capela podemos venerar as imagens de Nossa Senhora das Dores, Santo António, Santo Antão, Santa Teresa do Menino Jesus, São Luís de Gonzaga, Santa Rita, Santa Luzia, Nossa Senhora da Conceição e Santa Filomena; há ainda um altar túmulo com a imagem do Senhor Morto; nesta capela Celebra-se o Sacramento da Reconciliação. Em frente está o Baptistério com a antiga pia em pedra e o nicho dos Santos Óleos. Do mesmo lado, na parede, está um púlpito em madeira muito bem trabalhada. No corpo da igreja, de frente, estão dois altares, um com a imagem de São Pedro e o outro com a imagem de São Paulo. "




 ESPERO QUE TENHAM GOSTADO


Fonte A

02/08/2020

QUINTA DO CARMO - CONVENTO Nª. SENHORA DAS RELÍQUIAS

Continuando a visita pela Vidigueira, vamos agora para a Quinta do Carmo. 


Ora bem chegámos à Quinta do Carmo, onde se situa o Convento de Nª. Sª. das Relíquias.
Datado dos finais do século XV, por volta do ano de 1496. Diz a lenda que este novo culto, terá tido origem na aparição da Virgem a uma humilde pastora, no lugar da Várzea, (lugar onde se situa o convento) em 1480- 1481 .



Aqui a fachada principal, e a porta que da para a Igreja do Convento. Mas não vamos entrar por aqui. 
Hoje ele é propriedade particular, e não se encontra aberto ao público pelo que para se visitar, tem que se entrar em contato com os donos e marcar a visita, para que eles nos abram a porta. A visita é acompanhada pelo dono, ou pela filha, e só vemos parte do monumento. A parte que não está habitada
Vamos contornar o monumento e ver a enorme área da quinta.



Aqui um cruzeiro pétreo do século XVII
A lateral do Convento. A toda a volta, uma profusão de verde...


Jardim
Nas traseiras do Convento,  temos esta imagem que retrata a pastora e a Nossa Senhora que terá aparecido em cima dum zambujeiro.
 Na várzea do Zambujal, local onde segundo a lenda, a Virgem Maria fez a sua aparição a uma pastorinha, foi erigida uma ermida que mais tarde foi entregue aos monges carmelitas de Moura, para que aqui estabelecessem um convento. A sua fundação encontra-se documentada por alvará expedido em Montemor pelo Rei D. Manuel a 7 de Janeiro de 1496. Aqui foi erigida uma pequena capela, que com a construção do convento ficou aqui apenas o arco do altar como recordação.
AQUI encontram a lenda de Nossa Senhora das Relíquias, que eu não vou contar aqui para não me tornar muito longa.
Damos uma volta pela quinta


até à Capela de Santa Luzia, já bem distante do Convento. É uma capela pequenina redonda, que tem no interior a imagem de Santa Luzia e uma moldura com a foto de um frade.
Pena que a foto do exterior da capela não ficou boa.  Parece que esta pequena capela terá sido construída para os frades que andavam na lavoura, poderem ter os seus momentos de oração sem terem que ir ao convento, o que dava uma grande perda de tempo entre o ir e vir.
Entre árvores, vinhas e olivais também há flores.
E já estamos a entrar no convento. Na altura da sua fundação, ele foi entregue a um grupo de frades do Convento Carmo de Moura.  Aqui nesta pequena capela se casaram os atuais donos do monumento,


os paramentos litúrgicos em exposição..
O teto
no átrio da Capela.






E vamos passar à parte que nos é mostrada do Convento pois o resto é habitação dos donos da casa.


E vamos passar ao interior do monumento
Aqui  neste convento estiveram os restos mortais de Vasco da Gama, antes de ser trasladado para o Mosteiro dos Jerónimos.
À entrada dos Claustros uma lápide escrita no português arcaico e ao lado a tradução.

E já estamos nos claustros. Durante quase um século a seguir à sua construção, o convento cresceu muito em importância. Era muito procurado pelos devotos de Nossa Senhora das Relíquias, pela devoção à Santa, mas também para utilizarem as águas aqui existentes que tinham fama de curar as doenças dos rins.  Aqui se instalou uma grande biblioteca, e uma importante escola de gramática.
Os claustros formam um quadrado interior, ounde se situa o jardim e a sua cisterna.
Num dos claustros esta bela fonte em mármore.
A  importância histórica deste monumento prende-se a D. Vasco da Gama, o navegador português que descobriu o caminho marítimo para a Índia. Vasco da Gama não era da Vidigueira, e as terras da Vidigueira, e Vila de Frades, eram pertença da Ilustre Casa de Bragança. Mas Vasco da Gama que nascera em Sines, era um apaixonado por esta zona, e o seu sonho maior era tornar-se um dia, o senhor destas terras. Vasco da Gama tornou-se presença habitual deste convento com cujos frades mantinha uma relação de grande amizade. 
Com a descoberta do Caminho Marítimo para a Índia, D. Manuel I atribuiu grande riqueza a Vasco da Gama, que pôde assim realizar um sonho antigo. Negociou um acordo entre Vasco da Gama e D. Jaime I, Duque de Bragança, em que este último vendia as vilas da Vidigueira e Vila de Frades a Vasco da Gama, seus herdeiros e sucessores, bem como todos os rendimentos e privilégios relacionadosMas isto não era suficiente para o ambicioso Vasco da Gama, e ele andava triste e sem vontade para nada. Então em 1519,  D. Manuel I atribui -lhe o titulo de Conde da Vidigueira, e o direito a usar o seu nome como D. Vasco da Gama. O Dom, só era usado aos nobres, pelo que Vasco da Gama foi o único não nobre a usá-lo 
Aqui o jardim, e a cisterna.


Mais um Claustro, vendo-se ao fundo uma talha.
Alguns objetos antigos, entre os quais um bonito rádio.
Alguns livros
E pequenos objetos expostos em vitrina.




                                         Altares


E agora sim chegámos à igreja, onde repousaram os restos mortais de Dom Vasco da Gama.Como já se disse Vasco da Gama era um apaixonado pela Vidigueira e grande amigo dos frades aqui residentes. Então o seu desejo era de ser sepultado aqui neste convento. Para adquirir o direito de aí ser sepultado, bem como os seus descendentes, pagou ao convento 13.000 reais. E deixou -o escrito em documento. Vasco da Gama foi depois feito Vice-Rei da Índia, para onde voltou a partir, e onde viria a falecer vitima da malária,  na cidade de Cochim na véspera de Natal de 1524, e aí foi sepultado. A família porém moveu todas as influências junto do rei, a fim de que se cumprisse a sua vontade de ser sepultado na Vidigueira, tendo os seus restos mortais sido transladados para este convento em 1539. Quinze anos após a sua morte. Os restos mortais de Vasco da Gama terão então sido aqui sepultados como era seu desejo e aqui terão permanecido até à sua transladação para o Mosteiro dos Jerónimos, nos anos 80 do século XIX. Acontece que o povo da Vidigueira, se insurgiu e não deixou sair de lá os restos mortais do conde almirante. E parece que os primeiros restos mortais que vieram para Lisboa, em 1880 foram rejeitados pela Real Academia de Ciências de Lisboa que não acreditou serem os do almirante.
Então depois de muitas negociações, conseguiu-se fazer a transladação em troca da construção de uma escola na sede do concelho, escola essa hoje transformada em museu municipal. 
 O episódio desse  braço de ferro entre o governo e o povo da Vidigueira foi tão intenso, ainda hoje é conhecida por estas bandas a expressão “larga o osso” devido à vontade das duas partes ficarem com as ossadas do Conde.


A igreja conventual foi reconstruída em 1593, por iniciativa de D. Miguel da Gama, sobrinho neto do navegador, que nunca chegou a ser conde da Vidigueira pois era apenas o segundo filho do 2º Conde da Vidigueira, e como sabem os privilégios na nobreza, eram apenas para o primogénito. 
Este edifício serviu de panteão para os descendentes do almirante,e seus descendentes, condes da Vidigueira e marqueses de Nisa.

Nesta capela dedicada ao Santíssimo Sacramento, anteriormente consagrada a Nossa Senhora da Conceição, pode ser observado um fresco dos inícios do século XX que representa a Última Ceia. Nesse lugar, temos ainda o monumento fúnebre dedicado ao padre André Coutinho, uma personalidade do tempo de D. Miguel da Gama que terá professado no Oriente antes de se estabelecer no convento, onde fundaria na nova igreja a sua capela tumular.


parte do teto conserva ainda grande beleza. Embora seja certo que noutros tempos a igreja estaria repleta de belos painéis dos séculos XVI e XVII, a profanação que o Convento sofreu após a extinção das ordens religiosas em Portugal em 1834, D. Pedro IV ordenou que as suas riquezas, fossem levadas para Évora a fim de as preservar de possíveis roubos. Ficaram apenas os frescos e os túmulos.  Em 1841, o Mosteiro que estava abandonado, foi assaltado, arrancaram e partiram as lápides das sepulturas existentes na igreja, porque o povo acreditava que os grandes senhores eram sepultados com jóias e outros objetos. Essa é uma das razões porque na Vidigueira ninguém garante que sejam mesmo os restos mortais do navegador, que vieram para os Jerónimos. já que aqui estavam também sepultados filhos e netos de D. Vasco da Gama. O único túmulo que ficou intacto foi o do Padre André Coutinho, talvez porque pensassem que o padre era um pobre homem que nada teria de valor.
Nesse mesmo ano de 1841 o Convento foi comprado por José Gil de Macedo e Menezes um homem muito rico de Portel, que o transformou na sua residência.



Uma gravura mostra-nos como era o  Altar -Mor que infelizmente foi destruído


Diz-se que estes dois pedaços de tronco, são o que resta do zambujeiro onde Nª Srª das Relíquias terá aparecido à pequena pastora. 
Em 1918 a imagem da Nª Srª das Relíquias foi levada para a Igreja de S. Francisco onde é venerada como padroeira e de onde se realiza todos os anos uma procissão em sua honra.














Nesta igreja havia grandes riquezas, entre elas um Relicário e um Porta Paz em ouro, prata e pedras preciosas que o padre André Coutinho trouxera da Índia. Estas preciosidades encontram-se em exposição no Museu de Arte Antiga em Lisboa.


A traça original do convento era bem diferente. Foi o Conde da Ribeira Brava, um dos presidentes da Câmara da Vidigueira quem o transformou e lhe deu o aspeto que tem hoje.
Esta quinta é atual pertença do Doutor Mário Silva e sua família.


Espero que tenham ficado a conhecer um pouco melhor a VIDIGUEIRA

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