15/11/2018

UMA ESCOLA PRIMÁRIA NO SÉCULO PASSADO.

 Por favor ampliem as fotos
Esta é uma sala de aulas na Vidigueira, Alentejo, na primeira metade do século XX. Não muito diferente daquela que eu e muitos de vós frequentámos.. Recordemos então...
 O grande quadro preto.
 Num país que tinha por lema, Deus. Pátria e Família, não podia faltar na escola o Crucifixo.
 Nesta sala a família real, que englobava as outras duas vertentes, a Família e simultâneamente a Pátria. Naquela que frequentei, em vez desta representação familiar tinha o Salazar.
 A secretária da professora e claro, não podia faltar, a régua, com que ela nos aquecia as mãos quando não sabíamos a lição.
 O Globo e o ábaco.
 O mapa do corpo humano para as ciências.
 A caixa métrica onde se guardavam algumas formas de medição.
 Esta foi uma das raras escolas do país, onde as turmas eram mistas. Talvez porque não houvesse outra nem na vila, nem nas localidades mais próximas.
A Gramática.
As carteiras
 livros

 O mapa, onde tínhamos que saber, todas as serras, rios e seus afluentes, estradas e caminhos de ferro.
 Um armário para guardar livros
 o relógio
 Vários utensílios nesta estante, entre elas todos devem reconhecer as nossas "tablets" ou iPedras. Eram fantásticas e nunca se acabava a bateria.
 Alguns livros
Os vários pesos
 As medidas
 As várias figuras geométricas
outras medidas.
 transferidor e outros utensílios

 canetas
 como eram os nossos cadernos
 O livro de leitura
 A ariymética

 Aqui um boletim de passagem e o diploma. Ainda têm os vossos?
 Uma prova escrita de exame
E finalmente o manual de boas maneiras.

11/11/2018

VIDIGUEIRA MUSEU



Na praça do Museu Municipal que foi uma escola entre os anos de 1833 e 1991, quando se construiu a nova escola. Anos depois foi restaurada e aberta como Museu Municipal. Inicialmente a estátua de D. Vasco da Gama não se encontrava no sítio onde hoje está, embora estivesse na mesma praça, que já foi arborizada e com bancos. A estátua encontrava-se no meio da praça, virada para Oriente, ou seja voltada para a escola. Em 2006 a praça sofreu uma grande alteração. Foram arrancadas as árvores , tirados os bancos e a estátua foi colocada a um canto na lateral, o que causou reboliço entre a população. Depois de toda a celeuma levantada, foi  de novo deslocada para o sítio onde agora se encontra.


Uma linda cabine de telefone antiga, foi a primeira coisa que vi ao entrar no museu. No post do Convento de Nossa Senhora das Relíquias, contei a história desta escola.
E vamos começar a visitar o museu.  Estando dividido em dois espaços temáticos, o primeiro mostra a história do ensino primário no concelho da Vidigueira, desde a inauguração da escola em 1884 até terminar essa função, em 1991. O segundo espaço mostra a evolução económica dos ofícios, da pequena indústria, do comércio e da agricultura desde os anos 30 do século passado. Eis a primeira sala que vemos  













04/11/2018

QUINTA DO CARMO - CONVENTO Nª. SENHORA DAS RELÍQUIAS PARTE II



E já estamos nos claustros. Durante quase um século a seguir à sua construção, o convento cresceu muito em importância. Era muito procurado pelos devotos de Nossa Senhora das Relíquias, pela devoção à Santa, mas também para utilizarem as águas aqui existentes que tinham fama de curar as doenças dos rins.  Aqui se instalou uma grande biblioteca, e uma importante escola de gramática.
Os claustros formam um quadrado interior, ounde se situa o jardim e a sua cisterna.
Num dos claustros esta bela fonte em mármore.
A  importância histórica deste monumento prende-se a D. Vasco da Gama, o navegador português que descobriu o caminho marítimo para a Índia. Vasco da Gama não era da Vidigueira, e as terras da Vidigueira, e Vila de Frades, eram pertença da Ilustre Casa de Bragança. Mas Vasco da Gama que nascera em Sines, era um apaixonado por esta zona, e o seu sonho maior era tornar-se um dia, o senhor destas terras. Vasco da Gama tornou-se presença habitual deste convento com cujos frades mantinha uma relação de grande amizade. 
Com a descoberta do Caminho Marítimo para a Índia, D. Manuel I atribuiu grande riqueza a Vasco da Gama, que pôde assim realizar um sonho antigo. Negociou um acordo entre Vasco da Gama e D. Jaime I, Duque de Bragança, em que este último vendia as vilas da Vidigueira e Vila de Frades a Vasco da Gama, seus herdeiros e sucessores, bem como todos os rendimentos e privilégios relacionados. Mas isto não era suficiente para o ambicioso Vasco da Gama, e ele andava triste e sem vontade para nada. Então em 1519,  D. Manuel I atribui -lhe o titulo de Conde da Vidigueira, e o direito a usar o seu nome como D. Vasco da Gama. O Dom, só era usado aos nobres, pelo que Vasco da Gama foi o único não nobre a usá-lo 
Aqui o jardim, e a cisterna.


Mais um Claustro, vendo-se ao fundo uma talha.
Alguns objetos antigos, entre os quais um bonito rádio.
Alguns livros
E pequenos objetos expostos em vitrina.




                                                          Altares


E agora sim chegámos à igreja, onde repousaram os restos mortais de Dom Vasco da Gama.Como já se disse Vasco da Gama era um apaixonado pela Vidigueira e grande amigo dos frades aqui residentes. Então o seu desejo era de ser sepultado aqui neste convento. Para adquirir o direito de aí ser sepultado, bem como os seus descendentes, pagou ao convento 13.000 reais. E deixou -o escrito em documento. Vasco da Gama foi depois feito Vice-Rei da Índia, para onde voltou a partir, e onde viria a falecer vitima da malária,  na cidade de Cochim na véspera de Natal de 1524, e aí foi sepultado. A família porém moveu todas as influências junto do rei, a fim de que se cumprisse a sua vontade de ser sepultado na Vidigueira, tendo os seus restos mortais sido transladados para este convento em 1539. Quinze anos após a sua morte. Os restos mortais de Vasco da Gama terão então sido aqui sepultados como era seu desejo e aqui terão permanecido até à sua transladação para o Mosteiro dos Jerónimos, nos anos 80 do século XIX. Acontece que o povo da Vidigueira, se insurgiu e não deixou sair de lá os restos mortais do conde almirante. E parece que os primeiros restos mortais que vieram para Lisboa, em 1880 foram rejeitados pela Real Academia de Ciências de Lisboa que não acreditou serem os do almirante.
Então depois de muitas negociações, conseguiu-se fazer a transladação em troca da construção de uma escola na sede do concelho, escola essa hoje transformada em museu municipal. 
 O episódio desse  braço de ferro entre o governo e o povo da Vidigueira foi tão intenso, ainda hoje é conhecida por estas bandas a expressão “larga o osso” devido à vontade das duas partes ficarem com as ossadas do Conde.


A igreja conventual foi reconstruída em 1593, por iniciativa de D. Miguel da Gama, sobrinho neto do navegador, que nunca chegou a ser conde da Vidigueira pois era apenas o segundo filho do 2º Conde da Vidigueira, e como sabem os privilégios na nobreza, eram apenas para o primogénito. 
Este edifício serviu de panteão para os descendentes do almirante,e seus descendentes, condes da Vidigueira e marqueses de Nisa.

Nesta capela dedicada ao Santíssimo Sacramento, anteriormente consagrada a Nossa Senhora da Conceição, pode ser observado um fresco dos inícios do século XX que representa a Última Ceia. Nesse lugar, temos ainda o monumento fúnebre dedicado ao padre André Coutinho, uma personalidade do tempo de D. Miguel da Gama que terá professado no Oriente antes de se estabelecer no convento, onde fundaria na nova igreja a sua capela tumular.


parte do teto conserva ainda grande beleza. Embora seja certo que noutros tempos a igreja estaria repleta de belos painéis dos séculos XVI e XVII, a profanação que o Convento sofreu após a extinção das ordens religiosas em Portugal em 1834, D. Pedro IV ordenou que as suas riquezas, fossem levadas para Évora a fim de as preservar de possíveis roubos. Ficaram apenas os frescos e os túmulos.  Em 1841, o Mosteiro que estava abandonado, foi assaltado, arrancaram e partiram as lápides das sepulturas existentes na igreja, porque o povo acreditava que os grandes senhores eram sepultados com jóias e outros objetos. Essa é uma das razões porque na Vidigueira ninguém garante que sejam mesmo os restos mortais do navegador, que vieram para os Jerónimos. já que aqui estavam também sepultados filhos e netos de D. Vasco da Gama. O único túmulo que ficou intacto foi o do Padre André Coutinho, talvez porque pensassem que o padre era um pobre homem que nada teria de valor.
Nesse mesmo ano de 1841 o Convento foi comprado por José Gil de Macedo e Menezes um homem muito rico de Portel, que o transformou na sua residência.



Uma gravura mostra-nos como era o  Altar -Mor que infelizmente foi destruído


Diz-se que estes dois pedaços de tronco, são o que resta do zambujeiro onde Nª Srª das Relíquias terá aparecido à pequena pastora. 
Em 1918 a imagem da Nª Srª das Relíquias foi levada para a Igreja de S. Francisco onde é venerada como padroeira e de onde se realiza todos os anos uma procissão em sua honra.














Nesta igreja havia grandes riquezas, entre elas um Relicário e um Porta Paz em ouro, prata e pedras preciosas que o padre André Coutinho trouxera da Índia. Estas preciosidades encontram-se em exposição no Museu de Arte Antiga em Lisboa.


A traça original do convento era bem diferente. Foi o Conde da Ribeira Brava, um dos presidentes da Câmara da Vidigueira quem o transformou e lhe deu o aspeto que tem hoje.
Esta quinta é atual pertença do Doutor Mário Silva e sua família.






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